segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O amor romântico

“O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.”
Fernando Pessoa

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

New era

O escrever é o sentido ilimitado do sentir, sensação perdura doura e remotamente ilusória da nossa espécie, o símbolo de um A rapidamente se transforma num conjunto de símbolos que significa a união da imperfeição “AMOR”, nele reside a nova era, a era da devoção e da contempalação, divindade genuína e ambiciosa, faz com que seres se aproximem da perfeição unívoca.
Nesta nova era deparou-me com um mundo sombrio, obscuro, mortificador e tendenciosamente fascinante e profundo, o mistério invasor e aterrador descobre em mim vicissitudes e esmiúça o que de “uno” poderia ter. Aqui sentado uma voz sublime e doce faz de mim seu escravo, suscitando em mim toda a admiração e devoção de quem é imperfeito e se ilude com as coisas belas. Obtendo um estímulo de veras exponencial de toda a capacidade subjectiva de interpretar símbolos sigo percorrendo o mar da descoberta, sem nunca dar lugar ao “certo”, mas sim ao mistério que do certo advém.
As minhas memórias confundem-se com o tempo, nelas navego e por elas vivo, suscito um sentimento mórbido de viver o que vivi, excluindo o que poderei viver, porque tudo o que vivi é sentimento e nele me conforto e deleito no seu esplendor.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Andar por aí

Vagueio num sem fim de emoções repartidas entre sensações e desordens do meu ser…O jardim encontra-se cheio de flores, a grande maioria de tons verdes sem nome, sem identidade, sem idade, sem duração, sem ao menos serem capazes de dizer nada ao nada da sua existência. A visão de alto para baixo era realizada de forma segura, austera, mecânica tornando-se artificial num artifício de odores e cores conferindo-me um espectáculo triste e desgostoso, o marasmo proclamava-se num tom mais elevado, o cinzento tomava partido do verde, o anonimato apoderava-se dum ser quase perdido, o jardim cada vez mais homogéneo ajustava-se a uma natureza olvidada. Natureza imensa, enigmática, insondável, impenetrável, com a sua grandeza excluiu à partida toda a cultura que pudesse vir a molestar e corromper o tão afável jardim concebido de uma pareceria inesgotável com Deus.
De entre toda aquela imensidão brota algo dissemelhante de todo aquele jardim, de cor vermelha, de estética apurada e refinada envolta de um manto verde com vultos castanhos de espinhos aguçados…O pasmo foi total, tomei a liberdade de me curvar de modo a conseguir visualizar tamanha beleza de entre todo aquele sem fim de tudo, olhando sob o mesmo plano a excelência e graciosidade eram ainda superiores ao até então estabelecido, o seu encarnado representativo da sua essência fulgurava com intensa paixão que me derrubou do alto…não poderia ficar indiferente a tamanha beldade que nem Adónis pôde conceber, fitando o olhar, ergo a cabeça para o alto e interrogo-me sobre a autenticidade de ser tão misterioso? Observando contínuo a minha caminhada sobre este ser, seus espinhos conferem-lhe protecção e resguardam a sua essência, as suas folhas floreavam-na de um modo afectuoso…perante isto minha mente eleva-se ao Olimpo tentando levar meu coração, mas…meu coração opõe-se linearmente à ideia da mente, a cor encarnada invadira meu ser sem a minha percepção, meu coração batera mais depressa, como que me alertando de algo sem precedentes, era tamanha a movimentação no meu interior que tive que solicitar a ajuda do meu coração, onde olhar tacto nem pensamento chegariam, ele reinaria sobre este novo mundo dentro de mim fora do meu alcance.
A divisão era cada vez mais profunda, a mente vagueará pelo Olimpo em busca de um esclarecimento para aquele ser, meu coração controlara minhas entranhas, e meu corpo era um mero objecto para tamanha agitação sentimental. Enquanto isso o olhar perdia-se por entre todo aquele encarnado, minha mão ordenada pelo coração tomara um plano de destaque ao acariciar a essência daquela flor, minha mente desaparece do Olimpo desafiando a teoria da velocidade da luz, e concentra-se naquele gesto, o olhar tornasse a janela para coração e mente comungarem juntos de tal acontecimento espectacular, a grandiosidade momentânea apoderasse de todo o meu ser, o controlo até então hierarquicamente estabelecido é desfeito como se de uma anarquia se tratasse, mas coração e mente não conferem importância ao acontecimento paralelo de uma dimensão escatológica...era tamanha a felicidade daqueles dois seres, uma brisa pairava no ar impelindo o jardim a ver o acto de um conhecimento banhado pela admiração, generosidade e amor vividos pelos dois…
O jardim maioritariamente de tons verdes e sem nome tornara-se num templo habitado por uma criatura com um nome, uma identidade, com uma idade e capaz de dizer tudo ao tudo que ela representa.

Alguma "coisa"

”Hoje encontrou-me no meio de tantas criaturas, olho-me de uma vitrina, vejo-me, contemplo-me, descubro todo o ser que há em mim, todas as feridas, as alegrias, as tristezas, as dores, as fragilidades e acima de tudo revejo todos os meus amigos todas aquelas pessoas que me tocam, que me dirigem a palavra, que me ensinam, que me libertam, que me perdem…em suma todos aqueles a que um dia vou estar ligado para a eternidade.
Avanço com passos miúdos, como se de uma sinfonia se tratasse, olhando para o meu lado esquerdo avisto aguas dum oceano que deu tantas alegrias aos nossos portugueses, de tantas alegrias rodeadas de tristezas superiormente ultrapassadas pela coragem e pela vontade de descobrir algo de um nível superior ao conhecido então, andando mais um pouco olho para o meu lado direito onde se encontram obras de valor humanístico incalculáveis, uma figura estática representando tanto com tão pouco, sendo tanto e não fazendo nada aos olhos de uns, é tanta a subjectividade que rodeia este Ser quanto a do inicio da existência, é tema de discussões, conversas, debates, um sem fim de razoes que me leva a ter um combate existencial em cada dia que me levanto e penso sucintamente no que fui, no que sou, e no que irei ser…Desse mesmo lado uma luz rebate-me remetendo-me à insignificância de algo que passa, utiliza e deixa, não havendo espaço para muito mais do que meros e infames momentos…Continuo a minha caminhada passo a passo entrou num vultuoso barco, individualidades rodeiam-me, à medida que avanço, vou ficando só, cada vez mais desamparado, subindo uma escadaria que me conduz ao lugar pretendido paro olho à minha volta e apenas sinto a minha presença naquela imensidão.
Sento-me e olhando aquele manto de água cristalina, sinto a calma de um homem que avista a sua terra, o sítio onde ele é carne e espírito, vive e faz viver, nas suas memórias passam pessoas, locais, momentos…momentos estes que nos fazem acreditar que a vida por instantes consegue ser perceptível, neles recordo-me de um olhar que me desmorona, que me despe é um sem fim de emoções uma antítese de tudo o estabelecido, a calma entra em mim por entre aqueles olhos, existe uma reciprocidade de palavras que me fazem entrar por entre aquele mar tão profundo, descubro, aprendo, fico estupefacto com a imensidão daquele mar tão rico…”Se o mundo fosse um momento, hoje tu serias o meu mundo”…