”Hoje encontrou-me no meio de tantas criaturas, olho-me de uma vitrina, vejo-me, contemplo-me, descubro todo o ser que há em mim, todas as feridas, as alegrias, as tristezas, as dores, as fragilidades e acima de tudo revejo todos os meus amigos todas aquelas pessoas que me tocam, que me dirigem a palavra, que me ensinam, que me libertam, que me perdem…em suma todos aqueles a que um dia vou estar ligado para a eternidade.
Avanço com passos miúdos, como se de uma sinfonia se tratasse, olhando para o meu lado esquerdo avisto aguas dum oceano que deu tantas alegrias aos nossos portugueses, de tantas alegrias rodeadas de tristezas superiormente ultrapassadas pela coragem e pela vontade de descobrir algo de um nível superior ao conhecido então, andando mais um pouco olho para o meu lado direito onde se encontram obras de valor humanístico incalculáveis, uma figura estática representando tanto com tão pouco, sendo tanto e não fazendo nada aos olhos de uns, é tanta a subjectividade que rodeia este Ser quanto a do inicio da existência, é tema de discussões, conversas, debates, um sem fim de razoes que me leva a ter um combate existencial em cada dia que me levanto e penso sucintamente no que fui, no que sou, e no que irei ser…Desse mesmo lado uma luz rebate-me remetendo-me à insignificância de algo que passa, utiliza e deixa, não havendo espaço para muito mais do que meros e infames momentos…Continuo a minha caminhada passo a passo entrou num vultuoso barco, individualidades rodeiam-me, à medida que avanço, vou ficando só, cada vez mais desamparado, subindo uma escadaria que me conduz ao lugar pretendido paro olho à minha volta e apenas sinto a minha presença naquela imensidão.
Sento-me e olhando aquele manto de água cristalina, sinto a calma de um homem que avista a sua terra, o sítio onde ele é carne e espírito, vive e faz viver, nas suas memórias passam pessoas, locais, momentos…momentos estes que nos fazem acreditar que a vida por instantes consegue ser perceptível, neles recordo-me de um olhar que me desmorona, que me despe é um sem fim de emoções uma antítese de tudo o estabelecido, a calma entra em mim por entre aqueles olhos, existe uma reciprocidade de palavras que me fazem entrar por entre aquele mar tão profundo, descubro, aprendo, fico estupefacto com a imensidão daquele mar tão rico…”Se o mundo fosse um momento, hoje tu serias o meu mundo”…
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